Sexta-feira, Maio 23, 2008
Segunda-feira, Maio 19, 2008
Aspectos geológicos de São Tomé e Princípe








Quando li o Equador de Miguel Sousa Tavares, fiquei com uma enorme vontade de visitar S.Tomé. Volvidos dois anos ou três, concretizei esse sonho. Não encontrei a sociedade da "estória". Mas sim, outra realidade bastante diferente.
Contudo, os lugares lá estão desafiando o tempo e os homens. A riqueza natural, por enquanto mantêm-se. Estas fotos são uma pequena amostra, não tem legendas, são dispensáveis.
Dedico este post ao Geocrusoe, porque está lendo o Equador e porque é Geólogo.
(Se precisar de cicerone, não me importo de voltar)
Domingo, Maio 18, 2008
Fim de semana cultural
Este fim de semana não houve tempo para respirar. . .
Primeiro a exposição de pintura de Fátima Madruga, no átrio do edifício da Assembleia Regional.
Espreite aqui para saber mais sobre ela
Seguidamente o lançamento do último livro de Dias de Melo "A montanha cobria-se de negro"
Espreite aqui para saber mais sobre ele
Primeiro a exposição de pintura de Fátima Madruga, no átrio do edifício da Assembleia Regional.
Espreite aqui para saber mais sobre ela
Seguidamente o lançamento do último livro de Dias de Melo "A montanha cobria-se de negro"
Espreite aqui para saber mais sobre ele
Quarta-feira, Maio 14, 2008
Flor do Maracujá
Segunda-feira, Maio 12, 2008
Quarta-feira, Maio 07, 2008
Sexta-feira, Maio 02, 2008
Interpenetração do Norte e do Sul

O fenómeno da globalização queima os antigos mapas. O poder, nota um autor americano, movimentou-se das comunidades e das nações para o capital transnacional, alargando o fosso entre ricos e pobres, quer nos países do Norte, quer nos do Sul. Cada vez mais, o Norte-Sul é definido mais pela classe social que pela geografia. O Norte já não rtepresenta um grupo de países mas de classes alinhadas no capital transnacional que medem a consolidação do seu poder na economia mundial à luz dos seus sucessos económicos. O Sul é composto pelos que - em Nova Iorque como na Nigéria - são cada vez mais marginalizados por esta evolução.
David C. Korten - World Policy Journal, 1992 (adapt.)
Nota:
Norte - Países Industrializados ou Desenvolvidos
Sul - Países Não Industrializados ou em Vias de Desenvolvimento
Quinta-feira, Maio 01, 2008
Quarta-feira, Abril 30, 2008
Segunda-feira, Abril 28, 2008
Problemas técnicos
Amigos,
Não sei o que aconteceu ao blog, estou com dificuldades técnicas.
O post anterior ficou sem espaço para comentar.
Obrigada
Não sei o que aconteceu ao blog, estou com dificuldades técnicas.
O post anterior ficou sem espaço para comentar.
Obrigada
De regresso A Cuba






Património 

Pintura

MúsicaTrinidad foi fundada em Dezembro de 1514, por Diego Velázquez de Cuéllar, na Província de Sancti Spíritus. É Patrimómio da Humanidade desde 1988.
Visitar Trinidad é recuar no tempo. Percorrer as suas calçadas com lajes levadas de Espanha, nas Caravelas e mantidas ao londo destes cinco séculos de história, a manutenção dos seus edíficios com o colorido forte, o artesanato, os cheiros, a música e o encanto deste povo.
Quinta-feira, Abril 24, 2008
Terça-feira, Abril 22, 2008
Dia Mundial do Planeta Terra

O Dia da Terra foi criado em 1970 quando o Senador norte-americano Gaylord Nelson convocou o primeiro protesto nacional contra a poluição. É festejado em 22 de Abril e a partir de 1990, outros países passaram a celebrar a data.
No Dia Mundial da Terra, que se comemora hoje, a humanidade é confrontada com vários alertas. Um dos mais importantes tem a ver com o envio de dióxido de carbono para a atmosfera que está a provocar um aumento da temperatura em todo o mundo.
As notícias sobre o planeta não são as melhores no dia em que se comemora o Dia Mundial da Terra. A temperatura em todo o mundo está a aumentar graças ao dióxido de carbono que os homens enviam todos os dias para a atmosfera.
As notícias sobre o planeta não são as melhores no dia em que se comemora o Dia Mundial da Terra. A temperatura em todo o mundo está a aumentar graças ao dióxido de carbono que os homens enviam todos os dias para a atmosfera.
O alerta chega da comunidade científica que é bem clara ao afirmar que este aumento de temperatura irá provocar até ao ano de 2050 a extinção de milhares de espécies animais.
Mas há mais avisos e todos eles preocupantes. As águas dos oceanos vão subir e provocar grandes inundações em diversos pontos do planeta e daí que muitas das cidades que se encontram em zonas costeiras sejam alvo de risco sério de destruição. Outro dos alertas que surge neste Dia Mundial da Terra tem a ver com as doenças tropicais que devem aumentar em larga escala e dar origem a um surto de epidemias, mesmo em regiões onde este tipo de doenças já foi erradicado.
Por cá a associação ambientalista Quercus também assinala o Dia Mundial da Terra com alertas para as consequências das alterações climáticas no litoral e inicia a campanha ECOTOUR 2007.
Entre as várias actividades previstas o destaque vai para a que está relacionada com a colocação junto à Ponte D. Luís, no Cais da Ribeira, no Porto, de uma régua gigante com 7 metros de altura por 2 metros de largura com a marcação dos cenários de subida do nível do mar previstos pelos cientistas portugueses e mundiais para as próximas décadas como consequência das alterações climáticas.
Como forma de alerta e sensibilização serão igualmente distribuídos pequenos moinhos de vento com dicas de como poderá cada cidadão contribuir para combater o aquecimento global."
(RTP 2008-04-22 14:55:34 - retirado do site
www.noticias.rtp.pt) (RTP 2008-04-22 14:55:34 - retirado do site
Domingo, Abril 20, 2008
Campanha da amizade

Os blogs Rota das Hortênsias e Geocrusoe destinguiram-nos com esta nomeação. Agradecemos e vamos tentar cumprir com as regras.
Assim a nossa nomeação vai para blogs de amigos reais e de amigos virtuais.
As pequenas coisasBordado de Murmúrios
devaneios
diafragma 64
O cantinho da Zé
O cheiro da ilha
Paraíso Escondido
São Mateus do pico
Um poema
Urbanidades da Madeira
Agora as regras
Copie o selo aqui no blog ou no Gospel Gifs (http://gospel-gifs.zip.net), nomeie 10 blogs amigos e visite cada um deles avisando da nomeação. Se foi nomeado por alguém, passe adiante e visite os outros nove blogs que foram nomeados junto com você. Ao passar a campanha, pode copiar o texto acima ou criar o seu próprio texto. O importante é não esquecer de avisar onde se encontra o selo e de nomear os seus 10 blogs amigos.
ULTIMATUM FUTURISTA
ÀS GERAÇÕES PORTUGUESAS DO SÉC. XXI
Acabemos com este mal estar de chá morno!
Mandem descascar batatas simbólicas a quem disser que não há tempo para a criação!
Transformem em bonecos de palha todos os pessimistas e desiludidos!
Despejem caixotes de lixo à porta dos que sofrem da impotência de criar!
Rejeitem o sentimento de insuficiência da nossa época!
Cultivem o amor do perigo, o hábito da energia e da ousadia!
Virem contra a parede todos os alcoviteiros e invejosos do dinamismo!
Declarem guerra aos rotineiros e aos cultores do hipnotismo!
Livrem-se da choldra provinciana e da safardanagem intelectual!
Defendam a fé da profissão contra atmosferas de tédio ou qualquer resignação!
Façam com que educar não signifique burocratizar!
Sujeitem a operação cirúrgica todos os reumatismos espirituais!
Mandem para a sucata todas as ideias e opiniões fixas!
Mostrem que a geração portuguesa do século XXI dispõe de toda a força criadora e construtiva!
Atirem-se independentes prá sublime brutalidade da vida!
Dispensem todas as teorias passadistas!
Criem o espírito de aventura e matem todos os sentimentos passivos!
Desencadeiem uma guerra sem tréguas contra todos os "botas de elástico"!
Coloquem as vossas vidas sob a influência de astros divertidos!
Desafiem e desrespeitem todos os astros sérios deste mundo!
Incendeiem os vossos cérebros com um projecto futurista!
Criem a vossa experiência e sereis os maiores!
Morram todos os derrotismos! Morram! PIM!
J o s é d e A l m a d a N e g r e i r o s
Sexta-feira, Abril 18, 2008
Terça-feira, Abril 15, 2008
Saudade de Cabo Verde







Dos 120 metros de altitude e sobranceiro à cidade da Ribeira Grande de Santiago, antes Cidade Velha, ergue-se o Forte Real de São Filipe, construido em 1587 , por ordem de Filipe II de Espanha.
A Fortaleza foi recuperada no âmbito do plano de recuperação da Cidade Velha, concretizando-se, assim, um projecto iniciado em 1999 pelo Ministério da Cultura de Cabo Verde, e coordenado pelo arquitecto português Siza Vieira, com execução da responsabilidade da Agência Espanhola de Cooperação Internacional.
Saiba muito mais aqui
A Fortaleza foi recuperada no âmbito do plano de recuperação da Cidade Velha, concretizando-se, assim, um projecto iniciado em 1999 pelo Ministério da Cultura de Cabo Verde, e coordenado pelo arquitecto português Siza Vieira, com execução da responsabilidade da Agência Espanhola de Cooperação Internacional.
Saiba muito mais aqui
Terça-feira, Abril 08, 2008
Sábado, Abril 05, 2008
Quarta-feira, Abril 02, 2008
Dai-nos....
Dai-nos de novo o Astrolábio e o Quadrante
Velas ao vento venha a partida
Há sempre um Bojador perto e distante
Nosso destino é navegar para diante
Dobrar o Cabo dobrar a vida
Dai-nos de novo a rosa e o compasso
A carta a bússola o roteiro a esfera
Algures dentro de nós há outro espaço
Chegaremos ainda a outro lado
Lá onde só se espera
O inesperado.
MANUEL ALEGRE
Velas ao vento venha a partida
Há sempre um Bojador perto e distante
Nosso destino é navegar para diante
Dobrar o Cabo dobrar a vida
Dai-nos de novo a rosa e o compasso
A carta a bússola o roteiro a esfera
Algures dentro de nós há outro espaço
Chegaremos ainda a outro lado
Lá onde só se espera
O inesperado.
MANUEL ALEGRE
Segunda-feira, Março 24, 2008
Estou encantada
Não me perdi na Floresta do Obô... Perdi-me no sorriso e ternura do Povo Santomense, no ritmo indolente do clima, na exuberante vegetação natutal, no colorido das aves e das flores, na frescura das cascatas, na areia das praias, nos picos dos vulcões, no sabor das frutas exóticas, do café, do cacau....
Um abraço
Até breve.
Sábado, Março 15, 2008
Sexta-feira, Março 14, 2008
Quero voar...


Quero voar
-mas saem da lama
garras de chão
que me prendem os tornozelos.
Quero morrer
-mas descem das nuvens
braços de angústia
que me seguram pelos cabelos.
E assim suspenso
no clamor da tempestade
como um saco de problemas
-tapo os olhos com as lágrimas
para não ver as algemas...
(Mas qualquer balouçar ao vento me parece Liberdade.)
José Gomes Ferreira
-mas saem da lama
garras de chão
que me prendem os tornozelos.
Quero morrer
-mas descem das nuvens
braços de angústia
que me seguram pelos cabelos.
E assim suspenso
no clamor da tempestade
como um saco de problemas
-tapo os olhos com as lágrimas
para não ver as algemas...
(Mas qualquer balouçar ao vento me parece Liberdade.)
José Gomes Ferreira
Domingo, Março 09, 2008
Nuvens...

Nuvens correndo num rio
Nuvens correndo num rio
Quem sabe onde vão parar?
Fantasma do meu navio
Não corras, vai devagar!
Vais por caminhos de bruma
Que são caminhos de olvido.
Não queiras, ó meu navio,
Ser um navio perdido.
Sonhos içados ao vento
Querem estrelas varejar!
Velas do meu pensamento
Aonde me quereis levar?
Não corras, ó meu navio
Navega mais devagar,
Que nuvens correndo em rio,
Quem sabe onde vão parar?
Que este destino em que venho
É uma troça tão triste;
Um navio que não tenho
Num rio que não existe.
Natália Correia
Sábado, Março 08, 2008
Sexta-feira, Março 07, 2008
E porque amanhã é...DIA INTERNACIONAL DA MULHER
Esta é uma pequena homenagem a todas as mulheres que lutam, que sofrem“Calçada de Carriche”
Luísa sobe,
sobe a calçada,
sobe e não pode
que vai cansada.
Sobe, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Saiu de casa
de madrugada;
regressa a casa
é já noite fechada.
Na mão grosseira,
de pele queimada,
leva a lancheira
desengonçada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Luísa é nova,
desenxovalhada,
tem perna gorda,
bem torneada.
Ferve-lhe o sangue
de afogueada;
saltam-lhe os peitos
na caminhada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Passam magalas,
rapaziada,
palpam-lhe as coxas,
não dá por nada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Chegou a casa
não disse nada.
Pegou na filha,
deu-lhe a mamada;
bebeu a sopa
numa golada;
lavou a loiça,
varreu a escada;
deu jeito à casa
desarranjada;
coseu a roupa
já remendada;
despiu-se à pressa,
desinteressada;
chegou o homem,
viu-a deitada;
serviu-se dela,
não deu por nada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Na manhã débil,
sem alvorada,
salta da cama,
desembestada;
puxa da filha,
dá-lhe a mamada;
veste-se à pressa,
desengonçada;
anda, ciranda,
desaustinada;
range o soalho
a cada passada;
salta para a rua,
corre açodada,
galga o passeio,
desce a calçada,
chega à oficina
à hora marcada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga;
toca a sineta
na hora aprazada,
corre à cantina,
volta à toada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga.
Regressa a casa
é já noite fechada.
Luísa arqueja
pela calçada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
António Gedeão
Teatro do Mundo (1958)
Quinta-feira, Março 06, 2008
Olhando o mar
Olhando o mar, sonho sem ter de quê
Olhando o mar, sonho sem ter de quê.
Nada no mar, salvo o ser mar, se vê.
Mas de se nada ver quanto a alma sonha!
De que me servem a verdade e a fé?
Ver claro! Quantos, que fatais erramos,
Em ruas ou em estradas ou sob ramos,
Temos esta certeza e sempre e em tudo
Sonhamos e sonhamos e sonhamos.
As árvores longínquas da floresta
Parecem, por longínquas, 'star em festa.
Quanto acontece porque se não vê!
Mas do que há pouco ou não há o mesmo resta.
Se tive amores? Já não sei se os tive.
Quem ontem fui já hoje em mim não vive.
Bebe, que tudo é líquido e embriaga,
E a vida morre enquanto o ser revive.
Colhes rosas? Que colhes, se hão-de ser
Motivos coloridos de morrer?
Mas colhe rosas. Porque não colhê-las
Se te agrada e tudo é deixar de o haver?
Fernando Pessoa
Olhando o mar, sonho sem ter de quê.
Nada no mar, salvo o ser mar, se vê.
Mas de se nada ver quanto a alma sonha!
De que me servem a verdade e a fé?
Ver claro! Quantos, que fatais erramos,
Em ruas ou em estradas ou sob ramos,
Temos esta certeza e sempre e em tudo
Sonhamos e sonhamos e sonhamos.
As árvores longínquas da floresta
Parecem, por longínquas, 'star em festa.
Quanto acontece porque se não vê!
Mas do que há pouco ou não há o mesmo resta.
Se tive amores? Já não sei se os tive.
Quem ontem fui já hoje em mim não vive.
Bebe, que tudo é líquido e embriaga,
E a vida morre enquanto o ser revive.
Colhes rosas? Que colhes, se hão-de ser
Motivos coloridos de morrer?
Mas colhe rosas. Porque não colhê-las
Se te agrada e tudo é deixar de o haver?
Fernando Pessoa
Sexta-feira, Fevereiro 29, 2008
Terça-feira, Fevereiro 19, 2008
Passeando por Havana Velha
Os azulejos foram oferta da embaixada de Portugal em Havana, da Fábrica de Cerâmica Viúva de Lamego
Bar frequentado por Heminguay, bebi um "mojito"
o meu nome também ficou escrito na parede
saiba muito mais aqui
Foi celebrado no ano de 2000 um Protocolo de Geminação entre Sintra e Havana Velha, considerando os valores de universalidade comuns aos Povos de Cuba e de Portugal, o interesse no estreitamento dos laços culturais e de amizade entre os dois lugares declarados Património Mundial e a comprovada vontade de ambas as partes de fortalecer e aprofundar as suas relações em diversas esferas de interesse comum.
Foi celebrado no ano de 2000 um Protocolo de Geminação entre Sintra e Havana Velha, considerando os valores de universalidade comuns aos Povos de Cuba e de Portugal, o interesse no estreitamento dos laços culturais e de amizade entre os dois lugares declarados Património Mundial e a comprovada vontade de ambas as partes de fortalecer e aprofundar as suas relações em diversas esferas de interesse comum.
Sábado, Fevereiro 16, 2008
Profusão de tonalidades

Na floresta dos sonhos, dia a dia,
Se interna meu dorido pensamento.
Nas regiões do vago esquecimento
Me conduz, passo a passo, a fantasia.
Atravesso, no escuro, a névoa fria
Dum mundo estranho, que povoa o vento,
E meu queixoso e incerto sentimento
Só das visões da noite se confia.
Que místicos desejos me enlouquecem?
Do Nirvana os abismos aparecem
A meus olhos, na muda imensidade!
Nesta viagem pelo ermo espaço,
Só busco o teu encontro e o teu abraço,
Morte! irmã do Amor e da Verdade!
"Sonetos Completos" Antero de Quental
Sexta-feira, Fevereiro 15, 2008
Domingo, Fevereiro 10, 2008
As árvores

As árvores crescem sós. E a sós florescem.
Começam por ser nada. Pouco a pouco
se levantam do chão, se alteiam palmo a palmo.
Crescendo deitam ramos, e os ramos outros ramos,
e deles nascem folhas, e as folhas multiplicam-se.
Depois, por entre as folhas, vão-se esboçando as flores,
e então crescem as flores, e as flores produzem frutos,
e os frutos dão sementes,
e as sementes preparam novas árvores.
E tudo sempre a sós, a sós consigo mesmas.
Sem verem, sem ouvirem, sem falarem.
Sós.
De dia e de noite.
Sempre sós.
Os animais são outra coisa.
Contactam-se, penetram-se, trespassam-se,
fazem amor e ódio, e vão à vida
como se nada fosse.
As árvores, não.
Solitárias, as árvores,
exauram terra e sol silenciosamente.
Não pensam, não suspiram, não se queixam.
Estendem os braços como se implorassem;
com o vento soltam ais como se suspirassem;
e gemem, mas a queixa não é sua.
Sós, sempre sós.
Nas planícies, nos montes, nas florestas,
A crescer e a florir sem consciência.
Virtude vegetal viver a sós
E entretanto dar flores.
Começam por ser nada. Pouco a pouco
se levantam do chão, se alteiam palmo a palmo.
Crescendo deitam ramos, e os ramos outros ramos,
e deles nascem folhas, e as folhas multiplicam-se.
Depois, por entre as folhas, vão-se esboçando as flores,
e então crescem as flores, e as flores produzem frutos,
e os frutos dão sementes,
e as sementes preparam novas árvores.
E tudo sempre a sós, a sós consigo mesmas.
Sem verem, sem ouvirem, sem falarem.
Sós.
De dia e de noite.
Sempre sós.
Os animais são outra coisa.
Contactam-se, penetram-se, trespassam-se,
fazem amor e ódio, e vão à vida
como se nada fosse.
As árvores, não.
Solitárias, as árvores,
exauram terra e sol silenciosamente.
Não pensam, não suspiram, não se queixam.
Estendem os braços como se implorassem;
com o vento soltam ais como se suspirassem;
e gemem, mas a queixa não é sua.
Sós, sempre sós.
Nas planícies, nos montes, nas florestas,
A crescer e a florir sem consciência.
Virtude vegetal viver a sós
E entretanto dar flores.
antónio gedeão
Obra Poética, Lisboa, edições JSC, 2001
Obra Poética, Lisboa, edições JSC, 2001
Sexta-feira, Fevereiro 08, 2008
Cântico
Mundo à
nossa medida
Redondo como os olhos,
E como eles, também,
A receber de fora
A luz e a sombra, consoante a hora
Mundo apenas pretexto
Doutros mundos.
Base de onde levanta
A inquietação,
Cansada da uniforme rotação
Do dia a dia.
Mundo que a fantasia
Desfigura
A vê-lo cada vez de mais altura.
Mundo do mesmo barro
De que somos feitos.
Carne da nossa carne
Apodrecida.
Mundo que o tempo gasta e arrefece,
Mas o único jardim que se conhece
Onde floresce a vida.
Miguel Torga
nossa medida
Redondo como os olhos,
E como eles, também,
A receber de fora
A luz e a sombra, consoante a hora
Mundo apenas pretexto
Doutros mundos.
Base de onde levanta
A inquietação,
Cansada da uniforme rotação
Do dia a dia.
Mundo que a fantasia
Desfigura
A vê-lo cada vez de mais altura.
Mundo do mesmo barro
De que somos feitos.
Carne da nossa carne
Apodrecida.
Mundo que o tempo gasta e arrefece,
Mas o único jardim que se conhece
Onde floresce a vida.
Miguel Torga















































